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Sociedade
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Arranca esta quinta-feira com a entrega do Condado Portucalense
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Viagem ao nascimento de Portugal
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O centro histórico da Feira está prestes a recuar ao século XII.
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O tempo corre e, por isso, os trabalhos de preparação dos cenários para a edição deste ano da Viagem Medieval em Terra de Santa Maria têm vindo a decorrer a bom ritmo. As bandeirinhas de várias cores já engalanam o centro histórico, o espaço para a restauração vai sendo delimitado e preparado, assim como as várias áreas temáticas e os espaços para as diversas lidas medievais. Claro que, como sempre e não poderia deixar de ser, o Castelo da Feira será peça-chave.
A Viagem Medieval começa esta quinta-feira. Este ano, a temática gira em torno da progressiva autonomização do Condado Portucalense, território do qual nasceu Portugal. O dia inaugural será marcado pelo espectáculo de abertura denominado “A Viagem”, interpretado pelo grupo de dança feirense “All About Dance”. Pelas 22h00, dá-se o regresso aos tempos do Condado Portucalense, com a apresentação do quadro “O dote”, que decorrerá na escadaria da Igreja Matriz e na Praça Nova, retratando os momentos em que o imperador Afonso VI, de Leão e Castela, concede à sua filha D. Teresa e seu marido, Henrique de Borgonha, as terras entre os rios Minho e Mondego.
O casamento realiza-se em Fevereiro de 1095, mas a nova autoridade só toma posse no final desse ano. Precise-se que, embora a propriedade seja de D. Teresa, filha do soberano, será D. Henrique a liderar a administração do território.
O Castelo da Feira assumirá a sua primazia natural nos dois dias seguintes. Em “O Encolheito”, na sexta-feira, será evocado o nascimento, em 1109, do infante D. Afonso Henriques, filho varão, quando o casal já tinha duas filhas – D. Urraca e D. Sancha. O que viria a ser o nosso primeiro rei é descrito pelas crónicas históricas como sendo “belo, grande e formoso, salvo que nasceu de pernas encolhidas”. Refira-se que a data do nascimento é ainda fonte de polémica nos meios históricos, com vários historiadores a avançarem com dias diversos.
O programa para sexta inclui, ainda, as justas “Juízo de Deus”, na “Terra de Fronteira”, a partir das 18h30; o “Recontro de Cavaleiros”, na “Liça”, pelas 22h00; o “Festim”, com começo marcado para as 23h00, na praça Gaspar Moreira; o “Fossado”, na “Terra de Fronteira”, às 23h30; e, a partir das 00h30, na escadaria da Igreja Matriz, “O Tributo” encerra o dia. Realce-se que estas actividades se repetirão nos dias seguintes.
“Eu, Henrique, pela Graça de Deus, conde e senhor de todo o Portugal”. No sábado, pelas 22h00, no Castelo, D. Henrique de Borgonha transforma-se em D. Henrique de Portugal. A 29 de Julho de 1109, os condes “portucalenses” doam o Mosteiro do Lorvão à Sé de Coimbra, em acto público participado pelos senhores de Guimarães, Coimbra e Viseu. A doação é um momento político de grande importância, por representar a assunção de uma certa autonomia do Condado Portucalense, embora dentro da monarquia leonesa e castelhana.
Domingo será o dia da visita à Feira de D. Teresa, estando o respectivo cortejo marcado para as 17h00, num trajecto que vai da Igreja da Misericórdia ao Castelo. Após a morte de D. Henrique, ocorrida em 1112, no seu domínio leonês de Astorga, a sua esposa assume o governo, tomando o título de rainha, uma vez que descendia de reis e era filha de um soberano que se intitulava imperador.
Tendo-se aproximado dos grandes do condado, D. Teresa recompensa a lealdade dos senhores da Terra de Santa Maria com a nomeação de Pero Gonçalves de Marnel, alcaide do Castelo de Santa Maria, para governador da cidade de Coimbra. E, em 1117, é realizada na vila da Feira a cerimónia de doação do couto de Assilhó e de um reguengo de Vilar de Andorinho, estando presentes os beneficiários e a rainha. Sendo de sublinhar a importância deste acto, que constitui a primeira referência à povoação que se situa junto às muralhas do Castelo.
Leia mais na edição impressa do "Terras da Feira"
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